Archive for the ‘Concertos’ Category

O Cais do Sodré foi a primeira paragem da apresentação oficial de Gold, o terceiro álbum dos portugueses Men Eater. Muito bem composto, o MusicBox foi alvo daquilo a que podemos designar por “gold(en) shower”, com a plateia a granjear o direito de ouvir muito do que é esta nova etapa da carreira da banda.


11 de Maio – Aula Magna, Lisboa Escrito por António Matos Silva / Fotos por Graziela Costa Há bandas e bandas e há fãs e fãs. E depois há os Tindersticks e Portugal. É no mínimo admirável a solidez que este relação leva, ano após ano, concerto após concerto, entrega após entrega. Desta vez, a […]


Outsider. Punkalhada. Matiné. Lafões. Quando as coisas nos são dispostas desta forma, não é fácil recusar o subconsciente ímpeto, que quase nos grita para irmos até ao Rossio comemorar a velha máxima: punk is not dead. E mesmo que o velhinho punk estivesse à beira do colapso, esta tarde de Maio teria sido um desfibrilhador potente. Como não era o caso foi, isso sim, uma festarola.


Perante uma Coimbra virada do avesso, tomada de assalto pela população que faz as suas artérias pulsar, a Praça da Canção, transformada em queimódromo, recebeu os britânicos Editors no palco principal e, numa perspectiva nada secundária, o comício barcelense encabeçado pelos Glockenwise e pelos Black Bombaim, no Palco RUC.


O Santiago Alquimista preparava-se para receber uma noite especial e quem durante as duas últimas décadas conheceu o movimento Hardcore Straight Edge em Portugal sabia disso. À cabeça estavam, novamente reunidos e pela primeira vez em Portugal, os Youth of Today, banda lendária do Hardcore Straight Edge nova-iorquino dos anos 80, símbolo da sua vertente positiva e fundadores do movimento Youth Crew. Mas, para além disso, estava anunciada uma actuação de tributo a X-Acto (a banda mais significativa de sempre da cena hardcore portuguesa) que prometia encher a sala de nostalgia mas, mais do que isso, comportava o potencial de despertar um movimento que se encontra em hibernação.


Demoraram a cá chegar, mas chegaram. Foi esta quinta que os Abe Vigoda se estrearam em Lisboa, após um concerto no dia anterior no Porto, após anos de espera e expectativa. Como não o poderia ser, com um disco como Skeleton, uma bomba de energia ríspida e ruidosa que os colocou justamente num pedestal para muito boa gente? Um pedestal que tremeu com Crush, o último disco da banda, com menos guitarra e mais electrónica, com menos ruído e mais limpidez, mais genérico e com menos alma. E, até ao final da noite, o abanar ter-se-ia intensificado, e os Abe Vigoda teriam desiludido. Mas, antes disso, é urgente retroceder no tempo.


De Stockhausen a Brian Eno, a música electrónica cresceu, diminuiu, estagnou, arcou com os estereótipos do techno, eurodance e electro-pop e levou muita gente a achar que a boa electrónica (aquela propalada pelos The Knife) estava esgotada e encerrada em si mesmo. O que acontece depois? Uma sensação de vazio, um silêncio que rodeia este espectro que se julga erradamente gasto e repetido. É aqui que entram novos valores como Tim Hecker, Ben Frost, Pure Reason Revolution e, claro está Sasu Ripattu enquanto Vladislav Delay Quartet.