Archive for the ‘Álbuns’ Category

O Três por Três está de volta e traz-nos, como suposto, o panorama de edições para as próximas semanas e, claro, algumas análises simpáticas: temos os Sunflare com o seu Young Love editado em Abril passado, tal como o Beileid dos Bohren & Der Club of Gore, e ainda os Beastie Boys o próximo Hot Sauce Committe Part 2.


O punk tem muitas formas e está sempre ao desejo dos homens. A frase até é da minha autoria, mas bem que poderia ser dos Botswana. Este super-grupo do Porto inaugurou-se no discos da melhor forma e mostrou que “OU” é um estilo de vida. Confusos? Já lá vamos.

Todos vêm com a lição bem estudada: João Pimenta (percussão) tem o seu passado espelhado nos trabalhos dos ALTO! e Green Machine, Sofia Magalhães (baixo) vem da escola dos Crisis, Igor Domingues e Marco Castro (bateria e guitarra, respectivamente) formam o power-duo Throes e João Chaves (teclas) anda a ser catapultado para as atenções nacionais com o seu projecto Dreams. Em Botswana, todos cantam, mas são Pimenta e Magalhães que vêm as suas vozes em destaque, para o bem e para o mal. Neste caso, para o bem: em The Story of Vlad, o contraponto voz masculina com feminina consegue criar mais intensidade ao tema, num cuspe visceral de raiva e entrega.


Ao seu segundo disco pela Matador, Kurt Vile parece ter reencontrado as verdades de uma América profunda, embrenhada na máxima do “Pão, Paz, Povo e Liberdade” – desculpem lá, politiqueiros do contemporâneo. É que, em Smoke Ring for My Halo, vemos um homem engagé com o seu tempo, de pés no chão (povo) e em plena calmaria (paz), a redescobrir-se ao mesmo tempo (liberdade). O pão? Bem, o que é a música senão alimento para o nosso cérebro?


Nunca é demais começar uma crítica a um disco dos Radiohead sem relembrar o seu passado que se quer inolvidável. Ao oitavo disco e quase vinte anos depois, os britânicos continuam aí para valer, mesmo que mergulhem, de vez em quando, em mares ainda mais sombrios, mais experimentais ou mais densos, eventualmente.


Horselaughter não fazem música para rir, bem pelo contrário. A melancolia com que todas as canções se desenvolvem, entre a lentidão e a simplicidade do post-rock descomprometido dos anos 90, o rock extra-psicadélico e, claro, os blues mais simples (que são sempre os mais tristes), sempre bem adornados, fazem de I Was A Ghost, Then um álbum desolador.


Há discos tão flexíveis que se podem ouvir pela manhã, quando se procura alguma acção e espertina, ou ao cair da noite, quando o sentimento do final de um dia solicita um caminho por onde fugir. Este é um deles.


Não há nenhum ponto de contacto entre este álbum e o que por aí se faz no mundo mainstream do hip-hop. Kno assumiu uma composição musical claramente virada para um tom soturno, sem espaço para futilidades, com beats lentos, melancólicos, que são ornamentados pelo flow de rappers como Natti e Deacon the Villain (os outros dois membros dos CunninLyinguists), Tonedeff ou Tunji.