Entrevista a Mount Kimbie: “O Post-Dubstep não nos representa”

14May11

Texto por Gonçalo Trindade

Chegam hoje ao Musicbox para um concerto com o potencial de ser, no mínimo, memorável, e desde Crooks & Lovers, seu primeiro disco lançado quando já tinham dois Eps, que têm conseguido tocar um pouco por todo o mundo. “Ainda me espanta imenso que consigamos viajar pelo mundo e tocar para públicos onde nunca achámos que a nossa música viesse a chegar”, diz Dominic Maker, parte do duo constituído também por Kai Campos.
São conhecidos como os fundadores do Post-Dubstep, mas hoje em dia não concordam sequer com o facto de pertencerem a esse género cuja definição tem, para todos os efeitos, mudado ao longo dos últimos anos. “Exacto”, diz Dom. “Houve uma altura em que não sentíamos necessidade de nos afastar dessa onda musical, mas depois de algum tempo estávamos em tamanha minoridade em relação à nossa própria definição que simplesmente parecia que o Pós-Dubstep era uma representação errada do que estávamos a fazer. Mas não é mesmo uma coisa com que nos preocupemos”. A sua música é, efectivamente, uma mescla de estilos, algo que se poderá ver até em palco. “Usamos uma mistura de equipamento acústico e equipamento electrónico em palco. Demorámos algum tempo a decidir como tocar as canções, mas nunca as queremos tocar tal e qual estão nos discos”. E mesmo agora, a forma como tocam ao vivo não é constante; algo que, segundo o músico, acaba até por ser positivo. “Ainda estamos a mudar regularmente, mas acho que é uma boa representação dos diferentes elementos na nossa música”.

As suas canções são misturas de sentimentos e paisagens… quase como se de bandas-sonoras (nada, nada clássicas) se tratassem. Tendo Dom sido um estudante de cinema, a influência que a sétima arte tece na sua música é óbvia. “Gostamos os dois muito de cinema, e filmes lindíssimos são inspiradores no sentido em que me fazem querer criar, num sentido mais geral”. Aliás, Dom crê que “bandas-sonoras podem ser muito interessantes, tens mais uma licença para criar algo muito livre quando também há imagens. Houve uma altura em que fiquei um pouco obcecado com o trabalho do Bernard Herman nos filmes do Hitchcock”.

Fazem parte de uma onda de novos músicos na electrónica, tais como James Blake e Jame XX, mas não crêem que este pequeno reviver do género seja, sequer, um reviver ou uma onda, “Sim, houve definitivamente um crescimento de popularidade do tipo de sons em que temos estado interessados. Mas estou relutante em ver isso como uma espécie de onda ou movimento, não acho que seja “o melhor tipo de música”. Há coisas boas a acontecer em todo o lado”. Mas ficam contentes em ver “os nossos amigos também a safar-se bem”, entre os quais está o já citado James Blake, com o qual já trabalharam e deram até concertos. “Conhecemos o James muito cedo na nossa carreira e simplesmente ficámos amigos, a falar sobre música e a sair juntos e quando começámos a tocar concertos, mesmo no início, pedimos ao James para se juntar a nós em palco. Era uma coisa muito diferente, e escrevemos algumas coisas em conjunto, mas não trabalhámos muito juntos, simplesmente enviamos um ao outro o que estamos a fazer”. Esse companheirismo foi, claro, uma influência. “Estávamos definitivamente a trabalhar juntos e a influenciar-nos mutuamente. Hoje em dia estamos tão ocupados que quando estamos juntos nem falamos de música!”.

Têm um EP que será lançado ainda este ano, a 27 de Junho, com o título de Carbonate. O seu ritmo de trabalho parece vertiginoso: lançaram dois Eps em 2009, mais dois em 2010, e nesse mesmo ano lançaram o seu primeiro disco, o fenomenal Crooks & Lovers. “Na realidade trabalhamos de forma muito lenta, mas acho que a Hotflush (editora) fez um excelente trabalho a coordenar os lançamentos e pareceu um processo de tomada de decisão muito fácil”. No concerto em Lisboa irão provavelmente apresentar algumas canções novas do EP por lançar, naquela que se espera que seja não tanto uma noite, mas mais uma viagem. Conselhos para o público? “Façam uma pequena sesta lá pelo fim da tarde, e tirem cinco minutos de paz para processarem os vossos pensamentos. Certifiquem-se de que têm bateria suficiente no iPhone para filmar o concerto todo, dessa forma podem vê-lo pelo ecrã e mais tarde mostrar às pessoas que lá estiveram”.
O ar e sentimentos com que sairemos da sala serão, esperamos, uma lembrança mais que suficiente. A confirmar este Sábado, 14 de Maio, no Musicbox, com a primeira parte a ser feita pelos nossos Aquaparque.

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