Concerto: Gotan Project @ Coliseu de Lisboa | Tango morno

11Apr11

08 de Abril, Coliseu dos Recreios, Lisboa
Texto por Youri Paiva / Fotos por Adriana Morais

O Coliseu às 22h – hora de início do concerto – estava longe de estar cheio. As pessoas aguardavam sentadas na plateia, enquanto os balcões se iam compondo. O atraso, neste caso, não foi da banda, que subiu ao palco pouco depois da hora marcada, mas do público. O Coliseu ficou praticamente cheio, na plateia já pouco espaço existia para dançar a união fervorosa do tango e da electrónica dos Gotan Project.

E lá começou calmamente com ‹‹Cuesta Abajo››, em que participava metade da banda, enquanto que a voz e a electrónica aparecem logo de seguida em ‹‹Época››. Muita gente chegava nessa altura, e num encontro que parecia começar morno, foi aumentando de temperatura, sem nunca ultrapassar o morno simpático.

O curioso dos Gotan Project é que agradam facilmente. Num registo em que o tango com batidas electrónicas, por vezes muito suaves, noutras com alguma potência, facilmente deixavam o público do Coliseu bastante satisfeito. Parecia que a banda pouco mais fez do que, durante pouco mais de uma hora e meia, tocar o ‹‹normal››. Sem grande esforço, as pessoas correspondiam com bastante barulho e alegria, mas a coisa era leve, numas alturas bastante dançável, noutras mais contemplativa e calma.

Esta falta de esforço poderia satisfazer facilmente quem estava na mesma onda contemplativa, mas não agrada tanto a quem procura algo mais. Gotan Project é tango para todos, usando e misturando outras bases – que bebem, para além da electrónica, do jazz e da música dos balcãs – transforma uma música de dança específica noutra coisa. Os Gotan Project fazem com que o seu tango deixe de ser tango – é outra coisa qualquer (entenda-se isto não como uma crítica, mas como uma construção… agradável).

Na realidade, o concerto dos Gotan Project não foi muito oscilativo, foi talvez demasiado equilibrado, existindo poucos momentos que se mantenham no ouvido. Com umas projecções competentes, que normalmente mostravam pessoas a dançar, sente-se a falta da maior e mais importante base dos Gotan: o tango. Lá se ouvia, sim, num palco bonitinho, mas a coisa foi tornando-se frívola na atitude da banda – o público estava entusiasmado, mas o registo nunca foi mudando muito, estava apenas agradado num concerto que foi curto, mas que não poderia ser mais longo com aquela atitude. A atitude poderia ter sido diferente se existissem dançarinos palpáveis, para além das projecções, sentia-se que sem isso existia uma distância que não aquecia o ambiente por aí além.

O encore sempre mudou um pouco as coisas, ‹‹Santa Maria›› era mais reconhecível aos ouvidos – era Buenos Aires. Mas a única grande diferença que se vislumbrou desde o início ao fim do concerto foi o aumento de público, a banda sempre foi igual, alegre e fria na mesma medida.

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