Bye Bye Bicycle em entrevista: Da Suécia, para dominar o mundo

08Apr11

Texto por Ana Beatriz Rodrigues


Vêm da nórdica e fria Suécia, com vontade para dominar o mundo. Chamam-se Bye Bye Bicycle e trazem consigo, nas suas músicas, memórias marcadas a “compasso” de tempos idos, que já foram e não voltam. Entre a pop sonhadora e o rock melancólico, vamos entrar no fabuloso mundo do imaginário de André Vikingsson, o vocalista. Depois de lerem, é correr para a agenda: é que estes meninos vão andar de norte a sul de Portugal, já a partir de dia 22.

Antes de mais, apesar da vossa sonoridade roçar o indie-rock, vocês decidiram escolher um nome mais inóspito para a banda, sem clichés e o óbvio “the”. O que significa Bye Bye Bicycle para vocês?
Sim, de facto, era a nossa intenção dar um nome de alguma maneira diferente dos habituais a iniciarem-se com “the”. Infelizmente, o nome não significa nada de especial, para nós. Apenas achamos que soa bem. Contudo, há várias pessoas que tendem a interpretar Bye Bye Bicycle como uma… espécie de adeus à juventude e aos tempos da infância! [risos] Para mim, não sei, é somente um nome.

É notório, na vossa música, influências marcadas como o Brit-Pop e, inclusivé, alguma world music. Tentam inflectir, nos temas, a música que gostam de ouvir em casa?
Na verdade, tentámos não ouvir muita música, ao longo do processo de gravação de Compass. Penso que se torna quase inevitável, às vezes, imitar outros artistas, mesmo que inconscientemente. Todavia, acho que a razão de existirem similiaridades à cena pop britânica e até world é porque, durante a nossa adolescência, ouvimos os mais variados estilos musicais. Isto ganha especial importância porque foi, sem dúvida, a época mais rica nas nossas vidas, musicalmente falando. Nesses tempos, seguíamos atentamente vários artistas, como os The Cure, Echo & The Bunnymen, David Bowie ou Stone Roses. Também ouvíamos soul e sons mais norte-americanos
Realmente, talvez tenhamos tentado camuflar as nossas inspirações, no máximo que nos foi possível, porque sempre desejámos fazer música que as pessoas quase reconhecessem, mesmo que nunca a tivessem ouvido, previamente.

O Disco

E qual é a história por trás de Compasss? Pergunto isto porque, ao ouvir o disco, experienciamos diversos sentimentos, como melancolia, nostalgia, tristeza…
Queríamos fazer um disco de estreia sobre viagens, mas não sobre o acto físico de viajar. Mais num sentido de uma viagem interior ao nosso próprio ser. Então, Compass é um disco que precisa de um ouvinte com mente aberta, que consiga ser arrastado para dentro desta ideia sonhadora que concebemos para ele.
Mas este é um disco sobre amor também, uma estória romântica menos feliz. [risos] Só que é nosso desejo, ainda, que as pessoas construam as suas próprias ideias no que concerne ao tópico “sobre o que é que fala este cd”. No final de contas, parece que a visão de quem ouve é semelhante à que nós pensámos.

Li que vocês tocam juntos há quase dez anos. Porque é que demorou tanto tempo até gravarem material?
Boa questão! Nós éramos tão novos quando começámos… E nos primeiros aninhos, tentámo-nos concentrar em aprender a tocar juntos e até perceber como deveríamos tratar os nossos próprios instrumentos! Depois disso, passámos uns quatro anos a procurar o nosso próprio som. E, finalmente, entrámos no processo de gravação, durante dois lentos anos. As boas notícias, no meio disto tudo, é que já temos um segundo álbum em vista, assim estes dez anos de paciência, com os seus babysteps, compensaram com grande inspiração.

Qual foi o papel de Mattias Glavå em Compass? Como é que ele começou a trabalhar convosco?
Nós conhecemos o Mattias há cinco anos, depois dele ter estado a graver alguns dos mais importantes discos da história da música sueca. Então, ele era uma espécie de ídolo para nós. No ínicio, ele não queria gravar o nosso álbum, mas acabámos por encontrar maneiras diferentes para o convencer a fazê-lo. [risos] Hoje em dia, ele continua a trabalhar connosco no segundo registo, também! Ele tem sido um grande líder no estúdio e uma preciosa ajuda, no que diz respeito a criar sons e, às vezes, até arranjos instrumentais.

A Suécia

A Suécia tem um passado conhecido na sua música pop. É difícil carregar um vasto legado nos vossos ombros?
Nem por isso. Nós pegamos no que resta da nossa grande herança musical e ou a destruímos, ou a revitalizamos. [risos] Ou, pelo menos, é o que eu espero que façamos. Destruir, provavelmente, é mais fácil, mas reinventar é a nossa meta.

Como é ser uma banda no vosso país, actualmente? É fácil tentar a internacionalização?
Creio que é mais fácil para uma banda sueca fazer isso, quando comparada, por exemplo, com um grupo moldavo. Isso explica-se, quiçá, pelo hype da tal herança escandinava. Ainda assim, torna-se bastante complicado fazer a tal internacionalização. Temos milhares de bandas cá e todas o querem fazer, mas o grande problema é que não têm o dinheiro necessário, o tempo ou a coragem para tal. E, claro, nem sempre têm qualidade suficiente para isso.
Talvez seja menos difícil para nós viajar tanto e andar em digressão pela Europa, dado que vímos de uma pequena povoação. Se nos compararmos a bandas jovens que vivam em Estocolmo ou Gotemburgo, não havia nada para nós, de onde vimos. E isto apesar de termos em mente a questão da fama ou das canções pop perfeitas…

As digressões

O tal passo internacional que mencionei está apenas pensado para a Europa, ou têm os Estados Unidos na vossa agenda?
Sim, temos os EU pensados… Mas isso só irá acontecer no próximo ano, porque tentamos estar fixos num território durante um certo espaço temporal. E a América é tão grande, vamos ter de planear isso durante um bom tempo!

Ao ouvir Compass, percebi que o assunto das viagens tem um grande impacto em vós. Tentam fazer canções para “fugir” com as vossas próprias canções? Ou, pelo contrário, encaram cada tema como um retorno?
Nós escrevemos estes temas numa tentativa de “sonho de sair da Suécia” e, de certa forma, eles acabaram por ser o nosso bilhete para conhecer novos países e novas cidades pela Europa, até agora. Por isso, o tema de Compass pode ser descrito como uma fuga da Suécia com ambição de evoluir.

Esperavam este bom feedback por parte da imprensa internacional ao vosso disco?
Na verdade, nem sei o que esperávamos, mas o que sei é que sempre quisémos que a imprensa gostasse, claro.

A vossa digressão por Portugal está prestes a iniciar-se. Estão ansiosos?
Siiiiiim! Estamos absolutamente animados por ir a Portugal. Vai ser uma grande aventura passar aí quase duas semanas. Queremos fazer perfomances inesquecíveis e tentar dar uso à melanina das nossas pálidas peles, com o vosso sol! [risos]

O público português pode esperar algum tipo de surpresa?
Isso depende do que queres dizer com surpresa! [risos] Às vezes, fazemos coisas em palco que se revelam como grandes surpresas para nós próprios! Mas o que quero é que cada concerto se torne numa grande experiência.

Por fim, como de costume, quero saber os vossos planos futuros. Como já disseram que estão em processo de gravação do segundo disco…
Sim, planeamos terminar o novo registo em Setembro e editá-lo depois, nos inícios de 2012. Com um bocado de sorte, pode ser que nos calhe o papel de dominar o mundo! [risos]

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