Concerto: Osso Exótico – O Pyrgo de Chaves @ Teatro Maria Matos

21Mar11

20 de Março, Teatro Maria Matos, Lisboa
Texto por Regina Morais


Há cerca de um ano, os Osso Exótico – André Maranha, David Maranha, Francisco Tropa, Manuel Mota e Patrícia Machás – apresentaram O Vapor Que Se Eleva Do Arroz Enquanto Coze, partindo de uma mescla de som e imagem, num loop conduzido pela fantasia. De volta à criação com a peça O Pyrgo de Chaves, o grupo comete novamente a proeza: a composição de um diálogo recíproco entre a imagem e o som, sugerindo caminhos flexíveis para a imaginação, sem que metas auditivas e visuais sejam, em qualquer momento, evidenciadas.

Com a plateia alinhada em cadeiras sobre o palco do Teatro Maria Matos e numa esfera principalmente composta por amigos e familiares: Manuel Mota, Patrícia Machás e David Maranha fizeram da percussão um drone translúcido, impregnado de sons metálicos contínuos, deixando que a música assumisse um carácter discreto sem se manifestar como potência sonora. Contudo, não foi só a sonoridade frígida própria dos metais que se manifestou. Os djambés, embora ouvidos com muito menos frequência, davam origem a texturas telúricas e menos cinzentas.

Por sua vez, André Maranha e Francisco Tropa trataram da projecção de imagens, parcialmente criadas no momento, arquitectando-as conforme as camadas sonoras produzidas pela percussão. André Maranha expunha linhas delgadas rigorosamente paralelas, que se moviam sempre no mesmo sentido e em constante repetição. Em contraste, Francisco Tropa aproveitava-se do fumo de uma vela em combustão, aproximando-lhe uma peça de vidro na qual se coloria uma mancha acastanhada através do fumo. Em seguida, projectava o vidro agora pintado de castanho para nele desenhar, utilizando penas, plantas e os próprios dedos, formas completamente imperceptíveis, deixando todas as perspectivas deliberar sobre as suas utopias.

Num exercício de cerca de meia hora onde a plasticidade da comunhão entre o som e a imagem foi posta em prática, os Osso Exótico procuraram não se conduzir apenas por uma gramática, mas por várias gramáticas que, consequentemente, tornam inesgotáveis todas percepções em torno do cosmos por eles criado

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