Reportagem: Ceira Rock Fest

15Mar11

12 de Março, Ceira, Coimbra
Texto por Paulo Castelão / Fotos por Lillian Castelão

Em dia de pseudo-manifestação nacional, muitos eram os motivos para sair do quentinho de casa. Um deles, o Ceira Rock Fest, evento que se realiza anualmente desde 2006, e que nesta sexta edição apresentou um cartaz bastante interessante composto pelas bandas 3 Horses, Rocco Recycle, Dixie Boys e Born a Lion.   

Ainda a recuperar da ressaca do festival Rock No Monte do dia anterior, e devido a um pequeno contratempo, não nos foi possível assistir à actuação dos jovens 3 Horses, a primeira banda da noite.

Foi já por volta da meia noite que o excêntrico germânico Rocco Recycle subiu ao palco, vestido com um bizarro fato prateado, e imediatamente pegou nos seus (não menos bizarros) instrumentos musicais, feitos por ele próprio, a partir de materiais reciclados. Quem esperava uma actuação mais teatral, em detrimento da componente musical, enganou-se redondamente, pois Rocco é uma autêntica one-man-band na verdadeira essência da palavra, arrancando para uma óptima prestação, para um público que soube conquistar. A base era simples; os pés marcavam a batida, as mãos na guitarra e a voz de quem já leva muito tempo disto fizeram ecoar muito e bom rock n’ roll, blues e country music através do PA da sala, que já se encontrava muitíssimo bem composta.

Para terminar, Rocco tinha preparada uma surpresa, – a noite já está quente, vamos aquecê-la ainda mais – deve ter pensado . E se bem pensou, melhor o fez. Uma cover da Ace Of Spades dos Motörhead, magistralmente executada que iniciou as primeiras movimentações mais a sério por parte do público, que acabou por pedir um encore; pedido aceite.

Seguiu-se um longo intervalo, tempo para pôr a conversa em dia, ou para ir buscar umas bebidas. Mas o intervalo prolongou-se por tempo demasiado, quase uma hora, para que fosse mudado praticamente todo o backline do palco para a banda seguinte. Obviamente que o público foi perdendo algum entusiasmo com espera, o que poderia dificultar a vida aos Dixie Boys, banda que se preparava para entrar em palco.

Quase de imediato, conseguiram pôr toda a gente a dançar ao som da sua música rockabilly, e o entusiasmo que se perdeu durante o intervalo, foi reposto num piscar de olhos.

Notava-se algum cansaço no quarteto portuense, que acabou por contar as suas peripécias da noite anterior aos presentes; o concerto em Gijón (norte de Espanha), um vidro do carro partido, uma guitarra perdida e uma multa passada pela polícia local. Mas nada que os faça baixar os braços, e é assim que se distinguem as grandes bandas. Claro que o cabelos imaculadamente penteados com generosas doses de brilhantina e a indumentária rock dos anos 50 também ajudam. Gostaria de evidenciar a fantástica voz de Ricardo Prazeres. Assenta como uma luva neste tipo de sonoridade.

Os Dixie Boys fizeram uma viagem pelos seus trabalhos já editados. Domino, Johnny Be Good, Bop-a-Lena e Gone, Gone, Gone são já temas obrigatórios nos seus concertos, mas também houve clássicos, como por exemplo Ring Of Fire de Johnny Cash, e assim sairam de Ceira pela porta grande.

Mais uma banda e mais uma pausa, desta vez mais curta, de ‘apenas’ 45 minutos…

Os cabeças de cartaz da noite, os Born a Lion, dispensam apresentações, pois há muito que deixaram de ser uma revelação, sendo já uma confirmação do melhor rock que se faz por cá. O último álbum Bluezebu assim o remete, e foi visitando esse mesmo álbum que os BAL iniciaram a sua actuação. Soldier Blues, Babylon e Warlords inromperam pela sala num início explosivo do trio, oriundo da Marinha Grande. Rodríguez, vocalista e baterista da banda, aproveitou então para falar à plateia, apelando à causa do rock n roll (já uma imagem de marca), e por entre desabafos, críticas ao estado da música no país e elogios à organização e ao público, decidiu brindar-nos com dois temas novos: No Mercy At All e Black Pope, que figurarão no próximo ano, com data prevista de lançamento para este mesmo ano. Influência assumida pela banda, os Deep Purple não puderam deixar de ser recordados com uma versão mais pesada de Black Night, antes de uma grande malha de slide guitar do guitarrista Malquiadez em Holy Trap, seguida de uma visita ao primeiro álbum da banda, John Captain, com o som psicótico de Blackout, tema onde Nuñez, baixista da banda, decidiu juntar-se ao público que se encontrava bastante movimentado. Tempo para mais uma música nova, Down By the River, e logo depois Psycho. Para finalizar a noite, a segunda e última cover, desta feita de outra grande influência da banda, American Ruse dos MC5. Saíram de cena entre aplausos agradecendo o apoio.

E foi assim que terminou a sexta edição do Ceira Rock Fest. Em grande.

De salientar a boa adesão a este evento que acaba por ser um dos mais importantes na zona, e também uma palavra de apoio à organização que se esforçou ao máximo para garantir a qualidade da noite, estando, então, de parabéns por ter conseguido corresponder às expectativas. Até à próxima edição.

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5 Responses to “Reportagem: Ceira Rock Fest”

  1. 1 Rita Santos

    Obrigada pela crítica e pelo vosso interesse. Até ao CRF 2012! Abraço. Organização do Ceira Rock Fest.

  2. 2 Juliana Pinto

    Excelente review. Foi uma grande noite sem dúvida. Paulo, fiquei a dever-te uma cerveja :)))

    • 3 Paulo Castelão

      obrigado juliana, a cerveja pode ficar para uma outra altura

  3. 4 João Santiago

    Olá! Obrigado pela presença e pela reportagem! Contamos com vocês para o ano.

  4. Grande noite!Com grandes bandas de rock!


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