Joan As Police Woman em entrevista: “Tenho de honrar a inspiração quando esta vem”

13Mar11

Texto por Ana Beatriz Rodrigues

Joan As Police Woman é o cognome em palco de Joan Wasser. Esta americana que já trabalhou com estrelas da nossa cena actual, como Guillemots, Lou Reed ou Lloyd Cole tem um novo disco, The Deep Field, que vem agora mostrar a Portugal. O PA falou com a singer-songwriter sobre o novo trabalho, projectos futuros e, até quis saber a opinião da cantora sobre tendências musicais. O resultado fica abaixo:

Primeiro que tudo, esta é a tua segunda vinda a Portugal num curto espaço de tempo. Mas agora, ao contrário do ano passado, tens novo material para mostrar. Como é que o público está a reagir a The Deep Field?
A resposta não podia ser melhor. Estou a adorar, não estava à espera. Tenho tido sorte em receber óptimas críticas por parte do público internacional e da imprensa.

Gostas de actuar cá? Como é que se porta a audiência no nosso país?
Adoro tocar em Portugal. Sempre que vim ao vosso país, tenho boas experiências, o público é sempre caloroso. Até me imagino a morar em Portugal, em alguns momentos da minha vida.

Sobre o novo LP, o que nos podes contar sobre ele? Qual é a maior diferença entre Start of My Heart, por exemplo?
The Deep Field é o reflexo da minha vida desde o último disco e é um pouco a memória de um espaço onde eu adoro a minha vida e adoro viver. Então, aí está a resposta: não é tão melancólico, é antes vibrante e feliz.

Quando compões, qual é o aspecto em que tens em conta primeiro?
Eu começo com a música. Arranjo, progressivamente, um refrão que soe bem e no qual as palavras fluam, simplesmente. Aprendi que tenho sempre de honrar a inspiração quando esta vem. Ela não aparece por aí, apenas quando estás pronto, ciente que tens de tirar partido dela. O importante é mesmo deixar-me levar quando ela me visita.

Já trabalhaste com algumas das maiores estrelas da música independente, como Rufus Wainwright e Antony and The Johnsons. O que retiras destas experiências?
Ambos [Rufus e Antony] são pessoas incríveis e trabalham de maneira muito distinta entre si. O Rufus ensinou-me que a prática traz a perfeição. Já o Antony mostrou-me que o aspecto mais importante na música é a emoção. O que os dois ainda me trouxeram foi perceber que se mantém muito fiéis aos seus trajectos.

Já tocaste com os Dambuilders, mas normalmente estás em digressão sozinha. Preferes pisar o palco com uma banda ou como um solo act?
Eu gosto de tocar música, no geral. Normalmente, toco com uma secção rítmica que é absolutamente genial. O Parker é um “monstro” na bateria e nos vocais, enquanto que o Tyler é muito profissional nos teclados, baixo e nos vocais. Ter tocado com os Dambuilders foi uma experiência fascinante, especial. Aproveitei para fazer muitos testes, como utilizar de forma profícua o violino numa banda: incluí-o com um instrumento de ritmo, levando-o comigo em imensos efeitos. Quando comecei a escrever as minhas próprias canções, adorei, senti-me bem e adoro fazê-lo. Isto é o que eu faço primariamente, quase por instinto, mas também me apoio muito em tocar pelo simples facto de tocar. E gosto de ajudar outros músicos com a sua música, igualmente.

Tu manténs o legado dos doces singer-songwriters que grandes estrelas como Leonard Cohen ou Jeff Buckley deixaram. Chateia-te que, para alguns, ser uma artista de autor seja considerado fora-de-moda e que o lo-fi seja a moda actual?
Tenho de ser honesta: eu não sigo tendências musicais. Uma tendência é uma tendência porque é a moda actual e, quer queiramos quer não, vai mudar, eventualmente. Eu gosto do que gosto e vou continuar a trabalhar nisso, sem qualquer alterção. Há vários songwriters que ainda escrevem hoje em dia e eu acredito piamente que será sempre assim. Nunca concebi o lo-fi como alguma coisa super moderna. Acho que isso acontece quando alguém não tem acesso a grandes meios, devido a todas as limitações inerentes ao processo de composição, o que pode ser extremamente útil à originalidade da criação. Também nunca considerei o “songwriting” como fora de moda, mas atenção: eu não sou, certamente, alguém que se considere ligado ao mundo em redor.

De onde é que vem a tua inspiração, especialmente durante o processo de escrita das tuas canções?
A minha inspiração vem dependendo do que é que eu estou a fazer da minha vida, nesse momento. Recentemente, a minha inspiração tem sido, maioritariamente, o amor, o fazer amor e estar apaixonada.

Quais é que são as tuas principais influências musicais?
São várias, mesmo: Al Green,Stevie Wonder, Sly and The Family Sone, Ann Peebles, Diana Ross, Marvin Gaye…

Quais é que são os teus planos a curto-prazo, depois de terminares esta digressão?
Não costumo fazer planos. Vou andar em digressão durante os próximos seis meses. Isto já é demasiado tempo para gerir, neste momento.

Por fim, tens algumas palavras que queiras deixar aos teus fãs portugueses?
Costumo ter alguns problemas com a vossa doçaria… Ou então, ela é que tem algum problema comigo, porque está sempre a voar para a minha boca, sem consentimento! [risos]

Joan As Police Woman iniciou, ontem, em Tróia, uma mini-digressão pelo nosso país. Esta tour contemplará, ainda, passagens em Lisboa, hoje à noite, e em Guimarães, Porto e Estarreja, nos dias 15, 16 e 17, respectivamente. Para mais informação, é favor seguir este endereço.

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2 Responses to “Joan As Police Woman em entrevista: “Tenho de honrar a inspiração quando esta vem””


  1. 1 Joan As Police Woman @ Hard Club -A voz como forma de expressão « Ponto Alternativo
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