Al Cisneros em entrevista: “Temos claras intenções de regressar assim que acabarmos o novo álbum”

03Mar11

Texto por Emanuel Pereira / Fotos do concerto de OM no Passos Manuel por Ana Beatriz Rodrigues e na Galeria Zé do Bois por Lais Pereira


Conectado espiritualmente ao seu baixo Rickenbacker, Al Cisneros tornou-se uma entidade singular, que de imediato nos salta ao córtex cerebral quando mencionamos  conceitos como “stoner” ou “doom”. Sleep, OM, Shrinebuilder, e participações em projectos como Six Organs of Admittance ou Harvestman, compõem a carreira de um dos mais proeminentes músicos das últimas duas décadas. Bem acompanhado por Emil Amos e Rob Lowe, Cisneros veio até Portugal em Janeiro para dois concertos de OM em Lisboa e Porto e o PA aproveitou a oportunidade para falar com ele.

“Os concertos em Lisboa e Porto foram muito bons. Estamos felizes por finalmente termos conseguido tocar em Portugal e temos claras intenções de regressar assim que acabarmos o novo álbum”, referiu o americano, acerca da estreia em solo nacional.

E, apesar de God is Good (2009) já ter saído há quase dois anos, tornou-se inevitável falar sobre as alterações sonoras que o quarto full lenght trouxe à carreira dos OM: “Nós não somos rígidos em relação ao som que concebemos. Há uma evolução natural na composição e eu tento sempre que um álbum represente aquele ímpeto inicial que me levou a desencadear o processo criativo. Gravar um disco é tentar exteriorizar da melhor maneira esse momento de inspiração e o próximo álbum será mais um passo nesse caminho evolutivo.”
No que concerne às inovações instrumentais que God is Good apresenta, nomeadamente a presença refrescante de uma flauta, guitarra ou até uma cítara, Rob Lowe (Lichens) desempenhou um papel essencial: “Conhecemo-nos há bastante tempo e, desde então, sempre houve um entendimento perfeito sobre os elementos que devem integrar os alicerces do nosso som, bem como uma admiração mútua e recíproca. O Rob proporcionou uma excelente contribuição adicional em estúdio para o God is Good e foi fácil perceber que os OM iriam evoluir para um trio, não só na sala de gravações, mas também ao vivo.”

Apesar das recentes alterações sonoras, o grupo mantém e perdura uma ligação com um paradigma espiritual e até religioso, algo não tão verosímil quando exploramos os conceitos-base de Sleep: “OM representa o ponto em que eu estou actualmente. Entre as duas bandas há uma grande distância temporal. Consoante vamos avançando, apercebemo-nos mais facilmente daquilo é importante na vida. Quando tocava nos Sleep, as perspectivas de futuro eram incertas. Foi essencial todo esse processo mas, agora, estou noutra conjuntura os OM são o veículo ilustrativo do local onde me encontro.”
Mas, apesar disso, há pontos de contacto entre os dois grupos. As referências ao Médio Oriente perduram nas letras de OM, algo que já existia em Sleep. Até que ponto essa zona do globo actua como catalisador criativo? (Recorde-se que OM actuou em Jerusalém cinco horas consecutivas, quando o também ex-membro dos Sleep, Chris Hakius, fazia parelha com Cisneros): “Durante todo o tempo em que lá estivemos, sentimos uma grande vibração interior. Certamente houve uma correlação entre isso e esse nosso concerto. Toda aquela área tem uma atmosfera única, fruto de uma energia psíquica forte e de uma concentração de lendas, mitos e figuras imponentes. É um sítio magnificente e certamente inspirador.”
Quando questionado sobre outras inspirações, nomeadamente a música dos Pink Floyd Set the Controls for the Heart of The Sun, o baixista responde, sem especificar: “OM não tem uma só uma influência forte. Há um variado leque musical que nos leva a compor. Algo que não acontecia em Sleep, já que Black Sabbath era a nossa grande referência.”

Al Cisneros contou-nos também como foi voltar a tocar com a sua primeira banda em 2009 e 2010: “Foi interessante e fez-me perceber como eu e o Matt Pike seguimos caminhos diferentes. Não senti falta do grupo, pois os OM preenchem-me musicalmente e sinto-me grato por isso. E é também difícil identificar-me e tocar músicas que hoje não comporia, com letras que não escreveria, para plateias numerosas que pretendem que nós sejamos aquilo que fomos há vinte anos.”
Em relação aos Shrinebuilder, o norte-americano confirma que deu uma contribuição importante para o nome e conceito da banda, ou não tivessem os OM uma música intitulada To The Shrinebuilder, presente no split com Current 93: “Para todos os que integram o grupo [Scott Kelly, Scott Wino, Dale Crover e o próprio Cisneros] a música é sagrada. E, quando estávamos a tentar arranjar um nome para o projecto, ele surgiu de forma quase natural, pois representa literalmente a forma como encaramos a música.”

Futuros splits e participações em projectos? Não há. Mas Al Cisneros garante que “está totalmente concentrado no novo álbum, cuja gravação já começou e que, em princípio, será mixado em Junho e lançado no Outono”.

Portugal, claro, estará a partir de agora na futura rota de OM.

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