Concerto: Monotonix + Glockenwise + Larkin @ Hard Club

02Mar11

26 de Fevereiro, Hard Club, Porto
Texto por André Forte / Fotografia por Eduardo Pinto

Não há grande desculpa para adiar um simples “foi assim que aconteceu” durante tantos dias, mas quando a circunstância nos tira a saúde e nos dá uma gripe, há que deixar assentar as emoções da destruidora festa que sábado foi, com Monotonix, Glockenwise e Larkin. E foi uma festa que se podia ter chamado Näice e podia ter recuperado o espírito do Milhões de Festa, que já se avizinha: todas as bandas tiveram a preocupação de anunciar o regresso do festival e de dar o litro, se não pela memória do ano passado em Barcelos, pelo que há-de acontecer em Julho vindouro.   

Na verdade, eu já sabia para o que ia. Quando tomei o bom ben-u-ron antes de entrar no Hard Club, para adiar o inevitável, tinha para mim que ainda ia estar demasiado fraquinho para participar nas convulsões da noite portuense. Não podia estar mais enganado: os Larkin logo mostraram que a coisa ia correr pelo melhor, com o seu hardcore bem trabalhado, como se os At the Drive-in tivessem a preocupação de tocar as músicas como os Refused do Shape of Punk to Come. Com um concerto de experiência do novo álbum, Elements of Our Desires, mostraram que os anos de ausência entre este e o já distante registo anterior valeram a pena para aprimorar uma receita que, à partida, já foi aperfeiçoada por estas duas bandas.

Mas mesmo a jogar contra a história da música mais recente, o quintento de Viana do Castelo não se porta nada mal, bem pelo contrario: a linha melódica, bem segura pela harmonia do baixo, é a cama perfeita para a expressão de um grande baterista, bem à moda David Sandström, dos suecos Refused e dono de um intenso rufar de tarola, exactamente como a primeira onda sonora vinda da percussão dos Larkin deixou claro.

Deu-se, depois, a vez dos Glockenwise. E, bolas, já iam os rapazes de Barcelos na sua segunda música, bem depois de o vocalista Nuno Rodrigues a soltar os primeiros impropérios contra tudo e todos (especialmente contra guitarrista Rafael Ferreira, que no espaço de uma música conseguiu inutilizar a guitarra, e contra o Benfica), quando me lembrei que devia ter tomado o segundo comprimido. Mas sem problemas, a dose de energia com que o quarteto explodiu o palco deu-me a pica suficiente para o resto da noite – a mim e a toda a gente.

A verdade é que, com a música bem alta, a vontade bem no sítio e os ouvidos no ar, percebemos que estes rapazes não são mais uma dessas bandas que tenta vender um produto. Eles querem é dar concertos e beber copos, como nos disseram em entrevista (sim, fiquem atentos que há-de surgir), e uma vez em palco dão o litro pelo que gostam de fazer, sem deixarem de ser uns verdadeiros Scumbag(s) e fecharem músicas com um simples “obrigado por não perceberem um cu de música”.

Finalmente, chegou o Texas israelita dos Monotonix. Evacuou-se o espaço, recuperou-se energia e, mal a Sala 2 do Hard Club voltou a ser preenchida já estavam os amplificadores de guitarra montados à beira do palco e a bateria bem no meio da audiência. E não, ainda não estava nada armado. Entrou o baterista, depois o discreto guitarrista e, finalmente, mal Ami Shalev pegou no micro e a música arrancou. Aí, sim, ficou a p*** armada. No espaço de 30 segundos voaram três garafas de água em várias direcções, começou um mosh-pit incrível e houve crowd surf suficiente para um festival inteiro. Era o parque de diversões que Nuno Rodrigues dizia ser o concerto do trio israelita, durante o concerto dos barcelenses.

E bem que me podia perder a descrever o que se passou no Hard Club, mas foi tanta coisa que deixo as fotografias fazer o seu trabalho. Adianto, no entanto, que os concertos de Monotonix são especiais: são um concerto em que o seu garage-rock, bem mais rico do que à partida se pode esperar, se torna perfeitamente secundário. Não interessa a ninguém se a guitarra está ou não a tocar, os Monotonix são uma banda que vive da bateria incansável de Haggai Fershtman, que não parou nem quando a bateria era arrastada em direcção à saída. Sempre de bombo e tarola em riste, Fershtman aguenta a pulsação acelerada de uma multidão sem regras, movida pela vontade de curtir à brava. De qualquer forma, esta deve ser uma fórmula que nem sempre agrada ao guitarrista Yonatan Gat, que lá se cansou da confusão e veio dar uma de Santana ao lado das colunas, descansadamente, enquanto Shalev e companhia se divertiam.

Factos: se estiverem doentes, deixem-se de tretas e vão ver os Glockenwise, principalmente se tiverem os Monotonix a fechar a noite; ver os Monotonix e não trazer um bocadinho de suor israelita consigo não conta como ver Monotonix; se perderam a grande noite de rock de velha guarda no Hard Club, bem que se devem arrepender, pois esta foi a última tourné dos mestres do suor de Israel. Sim, aqueles calções ridículos são completamente necessários e indispensáveis.

Saí do Hard Club completamente satisfeito e refeito de uma gripe. Mas o pior foi quando cheguei a casa. Quantos dias é que passaram desde sábado?

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3 Responses to “Concerto: Monotonix + Glockenwise + Larkin @ Hard Club”


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