Monotonix em entrevista: “Nós não queremos destruir nada, mas os nossos concertos são selvagens”

22Feb11

Texto por André Forte / Fotos do concerto no Milhões de Festa por Eduardo Pinto

Monotonix. Um nome que faz tremer pessoas e sítios; e quando não é o nome, é a banda israelita que o faz, em concerto. Depois de uma primeira experiência de pura insanidade do festival Milhões de Festa, em Barcelos, o trio de garage-rock regressa agora a Portugal para dois concertos únicos e o PA não resistiu a perguntar ao vocalista Ami Shalev porquê.

É inevitável, mesmo, o confronto com a realidade incontrolável desta banda da editora Drag City, dado o seu historial de demolições pelo mundo fora e expulsões de salas de concertos em Tel-Aviv, “onde a cena musical é conservadora”. Para o vocalista, “qualquer atraso de vida pode lixar tudo e ser banido de uma sala de concertos,” mas não é claramente um objectivo dos Monotonix serem mais do que incansáveis e perfeitamente loucos em concerto: “Nós não queremos destruir nada, mas os nossos concertos são selvagens.”

De qualquer forma, Shalev atalha logo sobre o que, em Portugal, fascinou o trio: “O concerto em Barcelos foi fantástico. É bom chegar a um país e ter a audiência preparada e entusiasmada para o nosso concerto antes mesmo de começarmos a tocar.” O mesmo começa a acontecer agora. No aquecimento para os concertos no Hard Club do Porto e na ZDB de Lisboa, já se sabe que vai haver festa e é isso que mexe o público dos israelitas: “Acho que é muito complicado competir com o que nós fazemos ao vivo só com música gravada, principalmente em 2011, quando toda a gente está a fazer tudo a toda a hora e não há muita coisa nova no rock ’n’ roll. Sinto que nos álbuns se tenta tanta coisa, mas que os concertos têm ficado na mesma. Quando algumas bandas fazem coisas diferentes em concerto as coisas tornam-se novas e excitantes.” No fim, para o vocalista, o tempo que decida como é que os Monotonix ficam na história da música: “quando já cá não estivermos tudo o que fica são as estórias das pessoas que viram os nossos concertos e ouviram a nossa música. Eu espero que a nossa música sobreviva ao teste do tempo.”

Mas, claro, isto não implica que os Monotonix ponham de parte os álbuns e os continuem a gravar. Porquê? “Um concerto é um momento e o álbum um documento. Acho que as bandas são mais dramáticas quando se trata de como o álbum vai soar do que quando se trata de como vai soar o concerto e penso que isso é um erro. De certa forma, um documento e um momento são a mesma coisa.”

Ou seja, duplamente equipados, os israelitas trazem a sua energia incrível e um novo conjunto de músicas chamado Not Yet, que gravaram e prepararam em preparos especiais, encarando-o “descontraída e dando espaço uns aos outros, sem falar muito da música para que fosse sentida individualmente.” Not Yet é, assim, não apenas o “álbum mais divertido” que os Monotonix já gravaram, é um registo “mais espontâneo, como o concerto,” contrariando a tendência das suas edições anteriores.

Além disso, o último álbum conta ainda com as capacidades maravilhosas de Steve Albini. “Fizemos tudo em três sessões curtas e diferentes, o que tornou o processo mais fácil e refrescante. Além de que o som do Albini não tem preço!” E o resultado é o ideal para este trio de gente doida: “É uma álbum divertido de ouvir e é punk, dado que as músicas são rápidas e curtas. Nós sempre quisemos fazer um álbum assim.”

Portanto, se formos resumir os ingredientes que temos, já se sabe qual vai ser o resultado dos dois concertos dos Monotonix em Portugal. Ami Shalev ainda está a formar opinião sobre como acontecem as coisas por cá: “Em Barcelos as pessoas foram divertidas como o caraças, mas é difícil dizer se são sempre assim. Vamos ver o que acontece nos concerto no Porto e em Lisboa!” Mas uma coisa o israelita sabe: “Eu achei as mulheres portuguesas incrivelmente bonitas! Um amigo espanhol disse-me que não, que as mulheres espanholas eram muito mais bonitas que as portuguesas, que tinham pelos nas costas! E bigode! Mas eu não concordei minimamente.”

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4 Responses to “Monotonix em entrevista: “Nós não queremos destruir nada, mas os nossos concertos são selvagens””

  1. 1 miguel

    Se os monotonix fossem portugueses eram censurados á força toda! porque em portugal as bandas vivem da dor de cotovelo, e é tudo concorrencia, não se sabem apoiar umas ás outras. como sao estrangeiros os monotonix sao os melhores.
    gosto deles e sem duvida que sao bons, e agora pensem tambem nas grandes bandas portugueses que temos que tambem sao uns janados do crlh e andam aí sobre censura total!! unidos o nosso panorama musical cresce, entedam isso, a onda da cunha tem que acabar.


  1. 1 Tweets that mention Monotonix em entrevista: “Nós não queremos destruir nada, mas os nossos concertos são selvagens” « Ponto Alternativo -- Topsy.com
  2. 2 Concerto: Monotonix + Cangarra @ Galeria Zé dos Bois « Ponto Alternativo
  3. 3 Monotonix - Galeria Zé dos Bois

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