Concerto: Death Before Dishonor + The Mongoloids + Shape @ Revolver Bar

19Feb11

17 de Fevereiro, Revolver Bar, Almada
Texto por Emanuel Pereira / Fotografia por Marina Ruiz


Poucos mas bons. Cliché, é certo, mas perfeitamente adequado para a noite da passada quinta feira. A plateia virou família, os músicos tornaram-se parte dela e noite fluiu de forma descontraída mas festiva. Como diria o vocalista de The Mongoloids: “Sabemos que a noite é boa quando até o cameraman participa no moshpit.”

Com os Mordaça fora de combate – devido a um problema de saúde de um dos membros – coube aos igualmente portugueses Shape a missão de abrir a noite para as duas bandas americanas. Nada importunados com o som pouco nítido que se manifestava através dos speakers, ou mesmo com o facto de terem diante de si uma plateia a rondar as duas/três dezenas de pessoas, os Shape disfrutaram da oportunidade e apresentaram o seu hardcore entrelaçado com raízes mais  melódicas/post. clima não era o mais propício e em que havia futebol a rodos. Pediu, ainda, para que não deixassem de apoiar o movimento underground e que, se pudessem, criassem webzines, bandas e tudo o que pudesse ajudar “a cena a não morrer”. Aplaudido, desceu até ao nível do público e, juntamente com os outros quatro membros, estilhaçou o restante set, num final que foi ilustrativo de toda a actuação: energético e expansivo, sem deixar de demonstrar também uma toada introspectiva e de superação dos inner struggles, baseada ora em ritmos velozes e abrasivos, ora em ambiências mais suaves.

Directamente de New Jersey, os The Mongoloids vieram até Cacilhas para apresentar New Beginnings, o novo álbum da banda. No soundcheck, já dava para perceber o que viria a seguir: um punk hardcore/crossover festivo, assente nos pregaminhos straight edge, sem grandes apetrechos, mas com uma intenção clara de fazer com que a plateia passasse um bom bocado. E assim foi. Com o vocalista a actuar todo o concerto no meio do público, os The Mongoloids distribuíram, e usando as próprias palavras de Greg, “hinos do moshpit”, que fizeram com que o slam e o sing along aparecessem. O  frontman da banda não se coibiu também de dizer que, desde 2005 (ano de formação do grupo), os The Mongoloids sempre desejaram tocar num sítio assim, para uma plateia tão íntima. Agradecendo aos Shape – a melhor banda de abertura de toda a tour, segundo Greg – e fazendo uma vénia ao público por ter preferido Cacilhas ao concerto dos Sum 41 ou ao futebol, a malta do mongo stomp despediu-se de Portugal com Time Trials e Troubled Waters, músicas de proa da carreira dos The Mongoloids, bem acompanhadas pelas acrobacias e headbang à death metal do baixista. Os quarenta minutos de actuação souberam a pouco e não se estranharam os pedidos do público para que a banda tocasse mais uma ou duas faixas, algo não correspondido.

Os Death Before Dishonor, que por cá estiveram em 2009 no HellXis Fest, trouxeram novamente o hardcore musculado de Boston a Portugal. Não se importando se tocavam para “cinco ou cinco mil pessoas”, o grupo puxou dos galões e, aproveitando o bom som (especialmente o baixo), entraram a vencer com Count Me In e Remember. Bryan, o homem dos vocais, perguntou se a noite de futebol tinha sido favorável à plateia, enquanto recordava a forte bebedeira que tinha apanhado na Caixa Económica Operária, há dois anos. A deixa foi dada e, pouco depois, o vocalista dos Death Before Dishonor já estava a receber copos de cerveja do público, combustível essencial para Never Again e Fuck It All, músicas que aumentaram os índices de adrenalina no Revolver Bar, através dos fortes breakdowns e do potente jogo de pés do baterista. Todo o gig dos americanos foi em crescendo e True Till Death, música dedicada ao Ricardo dos For The Glory, provocou os primeiros stage dives da noite, prologandos exponencialmente com Break Through It All, uma das faixas mais reconhecidas da carreira do grupo.
Por esta altura, já a plateia estava unida aos Death Before Dishonor, com a boa disposição e o ambiente familiar a sobressaírem, algo evidente na Boston Belongs To Me, música emblemática que encerrou com um coro, ao melhor estilo celta, o concerto e a noite de hardcore em Cacilhas.

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One Response to “Concerto: Death Before Dishonor + The Mongoloids + Shape @ Revolver Bar”

  1. 1 Marco PVx

    Foi muito bom foi!! Eu curti sempre a mil, e as nódoas negras que ainda tenho, mostram o quão bom foi :)


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