Concerto: Hurts + The Eleanors – No rescaldo do amor

16Feb11

15 de Fevereiro, Hard Club, Porto
Texto por Ana Beatriz Rodrigues / Fotografia por Lais Pereira

Falar sobre os amores e os desamores faz furor, ou, pelo menos, ainda está na moda; não tivesse sido, esta semana, o Dia de São Valentim. Quem parece tomar vantagem disso são os Hurts, que, ontem, terça-feira, regressaram ao nosso país, para uma data única, no Porto.

O Hard Club estava, então, a abarrotar por todos os lados: gente, gente e mais gente, de todas as idades, com especial enfoque para o público feminino, que, aliás, na opinião do grupo de Manchester, estava bem representado pelas beautiful ladies, como confessou Theo Hutchcraft à sua audiência. Um fenómeno da pop moderna, os Hurts não inovam nem um bocadinho – é que eles passaram pela universidade do urbano-depressivo onde os Joy Division são os reitores. Ninguém diz que não foram aprovados com distinção, mas os pupilos não conseguem atingir os mestres, até porque preferem outras vias de expressão:  a atitude romântica que vemos em qualquer cantor do dito género (se fossem portugueses, poderiam bem figurar do cartaz das festas da aldeia de Portunhos…), a entrega de rosas brancas ao público, os ‘clímax’ épicos e as demonstrações de sentimento ‘excessivo’, quase forçadas. Mas, como não são, até lhes damos o desconto, porque, passado o choque da pirosice, há, realmente, bons pormenores na música dos britânicos.

Alvo de uma produção atenta, Happiness, o disco de estreia destes senhores, é o verdadeiro protótipo da pop: vocais certinhos, momentos altos, letras melodramáticas, refrões catchy (quem é que já não ouviu a canção Wonderful Life por aí?) e, até, óptimas camadas instrumentais, nas quais os violinos são uma preciosa ajuda. Ao vivo, os Hurts são muito assim, também. Acrescentando, contudo, uma teatralidade e sensualidade que, por exemplo, o vídeo de Wonderful Life já antevia. Ou seja, tudo é pensado, como nos bons “produtos-pop”, desde o guarda-roupa com direito a músicos «engravatados» ou atitude estática em palco de alguns membros da banda.

Desfilando o seu álbum, numa actuação que pecou pela sua homogeneidade, temas como Verona, Evelyn ou Stay fizeram, literalmente, o chão do Hard Club tremer, havendo – dado o grau da histeria feminina na sala – momentos em que pensei se não teria entrado, por engano, num concerto dos Backstreet Boys… Com tudo isto, sendo-se ou não fã do género, é impossível desdizer esta actuação: os Hurts são competentes, não falham e o seu ar afectado pela paixão com brilhantina no cabelo até lhes dá alguma piada. Nota negativa, porém, para o jogo de luzes da sala – excessivo, perturbador e, em nada, solícito para com a actuação.

Cabia aos The Eleanors a tarefa de aquecer o palco para os Hurts e, pela reacção, ninguém foi para casa desiludido. Em primeiro lugar, saliente-se que a sala 1 do antigo mercado Ferreira Borges estava já praticamente cheia quando este grupo da Maia pisou o palco. Em segundo, o público conhecia as letras e reagia bem à sonoridade da banda que, como os britânicos, também estava vestida a rigor para a ocasião. Durante meia-hora, se fechasse os olhos, diria que estava num concerto de Editors, com uma aparição dos The Killers, já no final do espectáculo. Não quero, com isto, dizer que foi mau, pelo contrário. Os Eleanors são um projecto que tem pernas para andar, mas que precisa, todavia, de amadurecer e resolver alguns problemas na secção ritmíca e vocálica.


Stay fizeram
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7 Responses to “Concerto: Hurts + The Eleanors – No rescaldo do amor”

  1. 1 Pedro Pinto

    Era Sala 1 e não sala 2.

  2. 2 Ana Beatriz Rodrigues

    Obrigada, Pedro.

  3. 3 Rui

    “se fossem portugueses, poderiam bem figurar do cartaz das festas da aldeia de Portunhos” A sério? Ana estás a comparar a música de Hurts com pimba? Podem não ser a melhor banda do mundo, podem não ser perfeitos, podem ter um reportório pequeno, mas qualidade não lhes falta! Não é por acaso que foram uma das bandas revelações na Europa em 2010, e uma daquelas pelas quais mais se espera no futuro.
    Não inovam nem um bocadinho? Desde que vejo e conheço pessoal do metal, do pop, do rock, do alternativo a gostar, nem que seja ligeiramente, do tipo de som que os Hurts reproduzem, deixa-me estupefacto aquilo que escreves!

    O chão estremeceu com a Verona? Assim fico com dúvidas que se de facto lá tenhas estado ou se alguém te falou sobre como foi o concerto…

  4. 4 Ana Beatriz Rodrigues

    Rui,

    Se atentares bem ao meu texto, reparas que essa comparação refere-se à atitude em palco e não à música em si. Aliás, no parágrafo abaixo, até falo da música e até a elogio. No entanto, o que os Hurts fazem é já uma reciclagem de tudo o que foi feito: não é demérito, é natural que as pessoas gostem, mas não deixa de ser uma reciclagem.

    Além disso, como qualquer crítica que se preze, é pessoal. É a minha opinião, de quem ouve e respira música diariamente. Ainda assim, não deixo de ilustrar o outro lado, o lado em que toda a gente estava a adorar o concerto.

    Por fim, acho a tua dúvida de mau gosto. Até porque, no sítio onde eu estava, o chão estremeceu sempre. Particularmente, em encore, na Better Off Alone.
    Cumprimentos,

    ABR.

  5. 5 Rui

    Opiniões, cada um a tem, e respeito.

    Better of alone? Isso não era de Alice Deejay, ou algo parecido? No Encore dos Hurts foi Better Than the Love.

    Não queria de nenhuma forma insultar-te ou algo do género, o que escrevi no comentário anterior foi apenas a minha opinião, de mau gosto foi escreveres o que citei anteriormente.

  6. 6 Ana

    Só tenho a dizer que, se não gostas ou não é o teu género de música, ok, respeita-se. Não consigo é entender como podes dizer essas coisas que nada têm a ver com o grupo… antes pelo contrário… originais são eles… já faltava algo assim no mundo da música!… Theo tem uma voz incrível, as letras são profundas e extremamente bem conseguidas, têm lógica, contam uma história, têm “pés e cabeça”… piroso?! Essa palavra é o oposto daquilo que os HURTS representam. Fiquei perplexa com o que escreveste… A música sente-se e há que respeitar quem “não ouve a mesma música”… e, já que és “profissional do ramo”, devias ser imparcial nas tuas críticas.
    Deixo aqui o meu total desagrado com o que li.

  7. 7 Ana

    Tenho que comentar de novo, depois de ler e reler… pufff… quase sem palavras. Os 2 primeiros parágrafos “abafam” o que de bom pode ter sido dito em baixo… estou perplexa… realmente, concordo Rui… Better of alone?!?! Verona fez tremer o chão?!?!… Ah… Ana Beatriz… não sei se reparaste mas ele (Theo) elogiou as senhoras e os senhores… lembro-me bem desse pormenor. E já agora, sinceramente não acho de bom grado enfatizar o facto de a data quase coincidir com o Dia dos Namorados… calhou!…
    Também vivo e respiro música mas simplesmente não sou profissional na área, sou professora. Mas não deixo de ter a minha opinião e de defender aquilo que gosto e que acredito ter valor. Não é à toa que os Hurts ganharam já muitos prémios e estão nomeados para outros tantos… na visão de “profissionalíssimos” internacionais.
    Escrevo tudo isto com muito respeito, quem sou eu…
    Joy Division?… hum… n me parece… como se diz aqui pelo Norte… “O que é que o cú tem a ver com as calças”?… mas pronto… opiniões.
    Somos livres, somos detentores da palavra, somos poderosos quando falamos ou escrevemos… nesse sentido, solicito a TODOS aqueles que lerem esta crítica da Ana Beatriz (nomeadamente os primeiros parágrafos) que não retenham NADA!
    Defendo e sempre hei-de defender este novo e poderoso grupo: HURTS.


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