Concerto: Rodrigo Leão @ Coliseu (Lisboa) – A linha perfeccionista

07Feb11

5 de Fevereiro de 2011, Coliseu dos Recreios, Lisboa
Texto por Youri Paiva / Fotografia por Catarina Costa Alves

Depois de em Novembro Rodrigo Leão ter praticamente esgotado o Coliseu dos Recreios, regressou novamente com o espectáculo que celebra a reedição do álbum Ave Mundi Luminar. E, novamente, esgota o Coliseu num concerto preparadíssimo que visitou não só o álbum celebrado, mas também uma carreira irrepreensível.

Não passava muito da hora marcada e ainda com pessoas à procura do seu lugar, levanta-se o pano com Rodrigo Leão sentado no piano no lado direito do palco. Acompanhavam-no um violino, uma viola de arco, uma trompa, um acordeão, um contrabaixo e um violoncelo – o Cinema Ensemble -, praticamente o conjunto fixo que o vai acompanhar durante as duas horas e quase meia de concerto.

O espectáculo foi dividido em duas partes com um intervalo a separar as mesmas. A primeira dedicada à celebração subtil e certeira de Ave Mundi Luminar, boa parte acompanhados pela cantora lírica Ângela Silva. Foi a altura mais contemplativa do concerto, roçando sonoramente na França, criando momentos que arrepiavam e que embalavam. Foi nesta parte que também se juntou o Maestro Paulo Lourenço e o Coro de Câmara da Escola Superior de Música, que acrescentou uma dose importante de dramatismo e intensidade que o momento celebratório pedia.

Com o intervalo as coisas mudaram. A guitarra e a bateria que estavam abandonadas durante a primeira parte foram ocupadas e o momento passou à recordação menos fixa. Com peças instrumentais e outras cantadas, já deixando a música francesa um pouco mais de lado – ouviu-se português e espanhol -, o ambiente tornou-se mais leve, mais festivo (embora nunca tenha sido uma festa). A voz de Ana Vieira, que se juntou nesta parte, puxou grandes aplausos do público pela sua beleza, força e calor. A bateria de Luís San Payo criava uma atmosfera mais rasgada e intensa, e isso teve a sua importância num concerto sem grandes sobressaltos.

No fim, ainda houve tempo para a acordeonista Celina da Piedade cantar e para uma peça solitária do Coro da ESM. Depois, claro, juntaram-se todos em palco para o encore ser o mais preenchido possível.

O concerto foi, pois claro, irrepreensível. Nada escapa às teias perfeccionistas de Rodrigo Leão e transforma tudo o que faz em fácil contemplação. E aí talvez esteja o único problema naquela noite no Coliseu: nada fugiu nem um pouco da sua linha meticulosamente tecida – nem para baixo, nem para cima. A falta de fuga, que muitas vezes transforma e cria intensidade, transformou o concerto numa noite serena e calma, contemplativa. E isso é agradável, há momentos que nos preenche por dentro de uma sensação leve e melancólica, mas sem romper. Foi assim… uma bela noite, com tudo belo, ao contrário do mundo.

This slideshow requires JavaScript.

Advertisements


No Responses Yet to “Concerto: Rodrigo Leão @ Coliseu (Lisboa) – A linha perfeccionista”

  1. Leave a Comment

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s


%d bloggers like this: