Concertos: Dr. Frankenstein + Casket Kings @ Coimbra

16Jan11

14 de Janeiro, States Club, Coimbra
Texto por André Forte / Fotografia por Eduardo Pinto

Dr. Frankenstein e os Casket Kings assombraram na sexta-feira à noite o States Club com os fantasmas do rock ‘n roll e do surf, entretanto esquecidos em resquícios aborrecidos de uns Beach Boys bem penteados. Mas em Coimbra não houve tempo para manter a compostura. À medida que a música servia de mote crescente para utilizar a pista de dança no seu propósito maior, as franjas das meninas desalinharam-se e as poupas dos senhores escorreram sobre as faces em suor e contentamento.

Os Casket Kings, armados de um contra-baixo, duas guitarras e bateria, começaram a noite da melhor maneira, com o groove único do mastodonte musical que é o primeiro instrumento. Aliás, se os ventos não sopraram a favor das ondas do grupo da cidade dos estudantes, foi essencialmente porque as guitarras gritaram sempre mais alto do que o groove inquestionável do monstruoso baixo vertical, não estando, indubitavelmente, ao nível deste, muito por não se lhes notar o ingrediente indispensável que é o reverb surfista.

Não obstante, de melodias surf bem estudadas e com a entoação à Jerry Lee Lewis na voz, os momentos fogosos sucederam-se num óptimo aquecimento para a invasão dos Dr. Frankenstein, que chegaram vestidos a rigor, prontíssimos para levantar os monstros adormecidos dentro de cada um dos presentes, simplesmente à espera da injecção de reverb e electricidade do surf com a atitude do garage rock.

Entre agradecimentos e lamúrias, seguiram-se reportagens à origem do som usurpado por Brian Wilson e companhia, instrumentais como nos primórdios, e momentos de punk cheio de feeling rock ‘n roll. De baixo, guitarra, teclas e bateria em punho, o quarteto levou um States bem composto a dançar até à exaustão.

Diria que ambos os concertos pecaram apenas por demasiado extensos: uma primeira parte com mais de 40 minutos seguida de uma actuação de quase hora e meia é estafante. Mas, ei, que sei eu? A verdade é que depois do momento mais stoner dos Dr. Frankenstein, de riffs bem pesados e bons para cabecear, prenúncio das últimas canções, ainda se pediu por mais na pista do States Club. À falta de satisfação, ainda houve quem conseguisse ficar para ouvir Xerife Nakata a encerrar a noite, já avançada, em djsetting.

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