Concerto: Imogen Heap @ Aula Magna, Lisboa

29Nov10

28 de Novembro de 2010 – Aula Magna, Lisboa
Escrito por Daniela Guerra e Carlos Miranda / Fotos por Lais Pereira

Era uma noite fria a que aguardava a estreia em Portugal de Imogen Heap. A cantora e compositora inglesa veio provar que ainda existem músicos profundamente inovadores, criativos e que muito há por inventar, assinando um concerto memorável. Imogen, quebrando todos os protocolos, foi a primeira a pisar o palco da Aula Magna­ – sem pompa, a sua entrada deu-se subitamente, para surpresa geral. E se, naturalmente, se pensaria que Lisboa seria a anfitriã da artista britânica, rapidamente ela virou tudo do avesso e fez-nos sentir convidados, como se estivéssemos na sua sala de estar. Espalhando simplicidade e simpatia, conquistou sem grande esforço o público mesmo antes de tocar qualquer tema.

Como se de uma gala se tratasse, Imogen Heap fez de apresentadora das bandas de suporte (cujos elementos fazem todos parte da sua banda na digressão) e desde logo passou a introduzir Ben Christophers, que se apresentou sozinho em palco, apenas auxiliado por um computador. Ironicamente, foi logo no seu primeiro tema que esse seu “parceiro” o deixou ficar mal, situação que soube contornar com muito sentido de humor. Ben apresentou os seus temas durante cerca de trinta minutos num registo low-fi, com canções de estrutura assente sobretudo na guitarra, que mostrou dominar. Prestação de bom nível, com destaque para algumas passagens que começaram desde logo a construir para a atmosfera especial que a sala viria a testemunhar.

Uma vez mais, Imogen Heap sobe ao palco, desta feita para anunciar a entrada dos Geese, banda composta por dois violinistas e um baterista. Tal como tinha sucedido com Ben Christophers, a escolha dos Geese para a abertura revelou-se muitíssimo coerente e acertada, com a originalidade e experimentalismo dos recursos instrumentais a sobressair. Com uma actuação com mais vida e maturidade do que a de Ben, o trio foi sobrepondo camada sobre camada, preenchendo-as com loops criativos e explorando intensamente os violinos sobre uma base de percussão quase esquizofrénica. Esteve em palco também durante pouco tempo, mas em bom plano.

Um pequeno compasso de espera e eis que volta Imogen Heap, desta vez para ficar e encantar. The Walk e Goodnight and Go foram o tiro de partida e confirmaram desde logo aquilo que o público na Aula Magna podia esperar do resto da noite: boas canções, excelentes músicos e, principalmente, uma Imogen Heap em pleno esplendor. Com formação em engenharia musical, Imogen não esconde a relação íntima que mantém com a música e o domínio completo dos múltiplos instrumentos a que recorre, qual criança livre e solta num parque de diversões. A originalidade do palco e sobretudo dos instrumentos usados não pode ficar por mencionar: um piano translúcido, copos de vinho, serrotes, pratos em elipse e muitos outros elementos compunham o cenário detalhadamente bem iluminado, em volta de uma grande árvore branca. Em constante diálogo nos espaços entre os temas, sempre muito irrequieta e sorridente, a cantora inglesa teve quase sempre uma história para contar. Wait it Out não foi excepção e Imogen revelou que compôs a canção a pedido de Zach Braff para o seu filme Open Hearts, ainda por lançar. Little Bird começou ao som de pássaros, registados pela própria Imogen no jardim onde costuma fazer jogging, em Essex. Foi a vez de Let Go, canção ainda do repertório do projecto Frou Frou do qual a britânica fez parte, seguindo-se um dos momentos mais sublimes de todo o concerto: o público fez as vezes do sampler vocal e entoou em harmonia Just For Now como pano de fundo para Imogen, que ia dirigindo em simultâneo a sua “orquestra”. Foi apenas de vozes que se compôs este tema, um de muitos exemplos da enorme capacidade que a cantora tem de musicalmente fazer tanto com tão pouco. O desfile das canções prosseguiu e entre os temas mais unânimes do repertório, entre os quais Swoon e Headlock, houve ainda tempo para uma raridade: Hear Me Out, outro tema do extinto projecto Frou Frou, foi adicionado ao setlist como resultado de uma votação que os fãs fizeram no site da artista. Tidal serviu de despedida para a banda, ficando Imogen Heap a solo para os dois temas finais. Com sentido de humor deitou por terra o mito do encore e não chegou a sair do palco. The Moment I Said It estendeu a passadeira para o tema mais aguardado e inevitável da actuação: Hide and Seek, uma vez mais com a participação do público, fechou em alta um serão simplesmente mágico.

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