Reportagem: Milhões de Festa – dia 2 (24 de Julho)

27Jul10

Texto por André Forte, Marco A. Melo e Ana Beatriz Rodrigues
Fotos por André Forte // Edição de Texto por Ana Beatriz Rodrigues

Da água, do róque e da história barcelense

PALCO PISCINA

Mais piscina, mais contratempos, e desta feita começaram os Throes antes dos seus conterrâneos Lululemon. Em condições normais, isto seria um desastre para a banda, mas, com um pouco de perspectiva, vemos que até correu bem: o calor era tanto que já estava toda a gente na piscina, logo não faltou assistência à actuação do duo de Vale de Cambra, que reuniu um número considerável de pessoas à sua volta, enquanto tocavam o seu rock super-abrangente. Na pior das hipóteses, esta hora representou um escaldão geral para quem participou activamente neste concerto.

Já os Lululemon, mais fresquinhos, (mas com coragem para estarem mais vestidos), foram mais na onda do seu garage, com as belas pentatónicas e um feeling mais western, pôr a malta a curtir.

Mas não são nenhuns Feia Medronho. Durante a actuação deste duo, houve alguém perto de mim que soltou a ideia que melhor explica o que ali se passou: “depois de ter visto aquele filme porno sobre a branca de neve e os sete anões e este concerto, posso dizer que já vi de tudo.” Houve, claro, sinos, houve gritos, espasmos, Rudolfo (que participou com os seus gritos sofridos) e a aparição do homem verde que dançava de forma absurda e assustadora. Não faltou mesmo nada. A nós falta-nos mesmo ver o tal filme.

Marçal dos Campos tinha uma “responsabilidade” acrescida. Levar o público a aderir depois do pequeno terramoto Feia Medronho. E o músico portuense mostrou estar à altura, com a sua “pop-fixe”, com toques de electrónica-computador. Para fechar a tarde piscineira – ninguém parecia querer sair de lá! -, a dupla de djs Os Yeah! com Fabulosa Marquise fizeram-nos mexer, quase “coreograficamente” (p.s. – caro leitor, se, durante estes textos sobre o Milhões de Festa, achar que o PA inventou palavras, não se preocupe. Iremos patenteá-las em breve), dentro e fora da piscina. Um dos melhores dj-settings do festival.

Aspen [palco VICE]
Os Aspen merecem o prémio “orgulho barcelense”. Descontraídos com a sua actuação e felizes por estarem naquele palco, deram boas lições de riffaria da dura e boa. Para trás ficaram as suas incursões mais post-rock, que agora deram lugar a um peso muito stoner e cheio de corpo, claramente a praia deste trio. Apesar de ainda estarem a alguns passos do reconhecimento dos conterrâneos Black Bombaim, mereciam ter tocado por volta da mesma hora que os colegas de palco.

Long Way To Alaska [palco Milhões]
Os Long Way To Alaska devem ter apresentado a pop mais fofinha de todo o Milhões de Festa. Sem provocar milhões de entusiasmo entre os presentes, passearam as músicas do seu EP, Melodies To Greet Sunrise And Feed Sunset. Se se pode considerar um momento alto da prestação, tocaram uma das canções que irá integrar o seu LP de estreia. Depois disso, como o Alasca é longe, devem ter ficado pela noite de Barcelos.

Cavalheiro [palco VICE]
O ex-Veados Com Fome, Tiago Ferreira, chateou-se com experimentalismo instrumental à la Sonic Youth e quis meter-se com essa coisa do indie-rock/post-punk assim a fugir para a pop, com muita resina marca Interpol. Resultado: Cavalheiro. Cavalheirescamente, desfilaram as suas canções com a base já descrita, a que se lhes juntam as memórias do mentor da banda. Não é, assim, de estranhar que as músicas se intitulem com nomes como Bom Jesus e Fão. Sem aquecer nem arrefecer, destaque para a versão de Bill Callahan, mais conhecido pelo seu trabalho como Smog.

Appaloosa [palco Milhões]
Este foi, talvez, o concerto mais multinacional do Milhões de Festa. Anne Marie é francesa, Max Krefeld é alemão, mas estão radicados em Londres. Despreocupados, os Appaloosa vieram divertir-se com a sua pop electrónica muito influênciada pelas ondas que deram à costa durante os anos 80. Apesar da pouca adesão do público, isso não os impediu de executarem as suas “danças” um pouco tontas.

Hype Williams [palco VICE]
Com o seu feeling muito hip-hop, os Hype Williams actuaram como duo e, suavemente, embalaram os presentes na sua narrativa, dando-se mesmo ao luxo de passar o êxito de Sade, Sweetest Taboo, reinterpretando-a da melhor forma que puderam. Sem paragens, com andamento e muita calma, protagonizaram um óptimo momento no palco Vice.

PAUS [palco Milhões]

São a banda-sensação do momento e merecem esse epíteto. Os PAUS conseguiram prender um “maralhal” de gente em seu redor, que ouviu, atentamente, as quatro músicas que compõem o recém-editado EP, É Uma Água. Porém, o público vibrou de tal forma, que pediu mais e Makoto Yagyu e companhia acabaram por tocar, inclusivé, uma canção nova. No palco, para tocar timbalões de chão extra, houve tempo para as aparições dos convidados Mike Ghost e Sega (Men Eater). Uma explosão de testosterona, com a bateria siamesa de Hélio Morais e Joaquim Albergaria em destaque. Um dos melhores concertos do festival.

ALTO! [palco VICE]
Numa incursão por Computer Says No, o concerto dos barcelenses começou com Gin Tonic e foi em grande andamento e com pouca conversa que eles atacaram os presentes. Com mais elemento do que é habitual, a ocupar-se de uma pandeira e fazendo coros para ajudar à festa do incansável vocalista, que saltava, dançava e gritava feito maluco. Mas é de malucos que o rock gosta, por isso tudo correu como deveria correr: bem.

The Fall [palco Milhões]
Cabeças de cartaz de todo o festival, sabia-se que destes dinossauros do post-punk, que iniciaram carreira ainda nos anos 70, nunca nada é previsível, especialmente no que toca a Mark E. Smith. A expectativa era muita, portanto.

Contar a “estória” deste momento não é fácil, por isso: não se importam que isto vá por tópicos? Então, vamos lá.
Mark E. Smith gosta muito do velho xarope. Tomou mais do que a dose recomendada pelos especialistas. Ainda achou que a dose não era suficiente, e passou o concerto a dar umas valentes “colheradas”. Talvez estivesse com medo de apanhar alguma virose fulminante…;
2º Ser músico dos The Fall não é tarefa fácil, pois estão sujeitos a qualquer momento ver desmanchada a sua postura pelos caprichos do vocalista;
3º Um técnico de palco num concerto da banda de This Nation´s Saving Grace, tem de ter especialidade em cruzamento avançado de cabos de microfone, tais eram os nós dados pelas passeatas constantes em palco de Mark E. Smith;
4º O mesmo Mark E. Smith tem um fetiche por microfones. Ainda bem que só havia 4 em palco, porque, se existissem 100, ele arranjava maneira de os usar todos.
5º Os The Fall são do camandro. Instrumentalmente ricos, com uma bateria sublime. E chega.

El Guincho [palco Milhões]
Que nem um Tony Montana acabado de chegar de Cuba, El Guincho e a sua roupa de “cocaínado” de Miami pôs toda a gente a dançar. Depois da actuação de The Fall, queria-se alegria e foi mesmo isso que o músico de barcelona nos trouxe, com a sua Alegranza. Entre efeitos e samples sonhadores, El Guincho mostrou que a synth-dream-pop nossa vizinha está viva e recomenda-se.

André Granada + Hounds of Hate + Crisis + Concorrência + Bandido$ + Xinobi [palco VICE]

Entre o turbilhão electro-punk de Crisis; passando pela “prata da casa”, que, não obstante, conseguiu incendiar o VICE, André Granada e Concorrência; o new-wave londrino dos Hounds of Hate (que, afinal, adoram triângulos▼) e acabando com a loucura – já menos frequentada, pelo cansaço – de Bandido$ e Xinobi, a festa fez-se até de manhã.

Fotos:

Lululemon
Feia Medronho

Hype Williams
PAUS







ALTO!

The Fall





El Guincho


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3 Responses to “Reportagem: Milhões de Festa – dia 2 (24 de Julho)”


  1. 1 Mais dois nomes para o SBSR: Elbow e El Guincho « Ponto Alternativo
  2. 2 O Milhões de Festa vive… em 2011, pelo menos « Ponto Alternativo
  3. 3 The Glockenwise dão o seu bitaite sobre 2010 « Ponto Alternativo

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