The Partisan Seed @ Tomar: Quente, como os dias solarengos.

02May10

1 de Maio, Theatro Bar, Tomar
Escrito por Ana Beatriz Rodrigues

À meia luz, já depois das zero horas, o público aglomerou-se em torno do pequeno palco do Theatro Bar, para ouvir o projecto de Filipe Miranda, mais conhecido como The Partisan Seed.

Acompanhado por Nuno Fernandes na guitarra semi-acústica e empunhando ele mesmo uma outra guitarra acústica, Miranda inundou o espaço com uns riffs calminhos e com a sua voz doce. Levados pelo calor vocálico, quase que nos imaginávamos num cenário de Inverno, em que a chuva cai lá fora e nós nos encontramos no quentinho da lareira.

Aliás, mais idílico se tornou o panorama quando, ao segundo acto, ouvimos a frase “We don’t carry a suitcase the size to fit our dreams in”, numa letra que faz jus ao cariz sonhador que a música de The Partisan Seed imprime.

À terceira canção, entre agradecimentos, Filipe Miranda apresenta Pedro Oliveira na bateria e envereda numa outra caminhada. A influência de um country de Johnny Cash e de um indie-folk de Mark Lanegan vem-nos à cabeça, numa canção em que o amor, as pazes e o desamor são as palavras de ordem. Miranda, de olhos fechados, entrega-se na actuação, sentindo o que diz e transmitindo uma intensidade brutal. A acentuar, Pedro Oliveira surpreende-nos com uma melódica, num cenário que, musicalmente, foi rico.

Durante mais de uma hora, a viagem continua. De certa maneira, este pode ser o melhor substantivo a qualificar a actuação de ontem, muito beneficiada pelo som do espaço e pelas luzes, que se adaptavam, consoante  a canção, à mensagem que se pretendia fazer passar. A viagem, essa, foi psicadélica, progressiva, carregada de pedais de reverbs e efeitos.

A voz de Filipe Miranda foi magistral, ora sofredora, ora sentida, secundada por uma percussão sublime, quase tribal. O público parece apreciar o esforço, aplaudindo e atirando-lhe, a certa altura, um “muito bom!”. Como diriam os ingleses: indeed.

Conforme nos íamos aproximando do fim, mais a tal intensidade marcava presença. Alguns dedilhados que nos reencaminhavam para uma Stairway to Heaven, dos Led Zeppelin, são tão intensos que nos preenche cá dentro. Mas a carga emocional não é só para as guitarras: a bateria de Pedro Oliveira marca o tempo suave e brilhantemente.

Com, então, duas partes distintas, tendo sido a segunda a mais arrebatadora, o final da actuação de The Partisan Seed é, no mínimo, curiosa. Nuno Fernandes dispensa a guitarra e troca-a por um bandolim, num tema que vai beber à música tradicional portuguesa e ao melhor do folk internacional, que quase nos levou a um headbanging geral.

Para o encore, Filipe Miranda ocupa o estrado sozinho, com a sua guitarra, voltando aonde começou: à melancolia, à intensidade e à sua voz segura. Se todas as noites fossem como estas, estaríamos felizes. The Partisan Seed, um projecto a ouvir com atenção.

Myspace :: The Partisan Seed
Myspace :: Theatro Bar

Advertisements


No Responses Yet to “The Partisan Seed @ Tomar: Quente, como os dias solarengos.”

  1. Leave a Comment

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s


%d bloggers like this: