Concerto: Peltzer + Musgo @ Tomar – “Let’s go clubbin'”

11Apr10

10 de Abril – Theatro Bar, Tomar
Escrito por Ana Beatriz Rodrigues

Foi mais uma noite memorável para aqueles que se deslocaram ao Theatro Bar. Desta feita, com um cheirinho a electrónica, a pequena sala de concertos tomarense transformou-se numa mini-discoteca, com uma estreia na cidade templária e com o regresso de uma das pratas da casa.

Os primeiros a subirem ao palco foram os Musgo. Os portuenses actuaram num espaço ainda meio-cheio, mas, nem por isso, deixaram de fazer a festa. A receita é simples: um baixo, uma guitarra, uma bateria e um vocalista muito peculiar. Aliás, não é pecado afirmar que muita da energia que o colectivo consegue transparecer em muito se deve à postura de seu frontman. Paulo Off é  um verdadeiro animal em palco, trajado a rigor (fato preto e gravata vermelha, que, eventualmente, se perdeu a meio do concerto), que ora nos surpreende com o seu exuberantismo nefelibato, ora nos diverte com a sua interacção com o público, contagiando a audiência com uma aura notoriamente marcada pelo post-punk de uns Joy Division ou Bauhaus. Em certa maneira, esta presença, com o seu ar quase alucinado, faz um contraste curioso com o resto da banda, muito compenetrada e segura do seu papel.

Musicalmente, os Musgo são uma banda rica, que não destoaria de um qualquer espaço internacional. Apesar de não serem totalmente inovadores – se formos colando a s suas influências a pouco e pouco, conseguimos fazer uma manta com quadradinhos que têm nomes como Fuck Buttons, The Strokes ou The Smiths -, conseguem dar uma roupagem totalmente diferente à sua música, pouco usual em Portugal. Dançável, o grupo tem riffs noise que nos ficam no ouvido e teclados melódicos que não deixam quem os ouve indiferente.

Porém, a grande atracção da noite era, indubitavelmente, a banda local. Quando subiram ao palco, os Peltzer já tinham a casa cheia, ansiosa por ouvir a apresentação de Outdated. Apesar de terem posturas completamente distintas, este grupo partilha uma particularidade com a banda anterior: ambas assentam na figura do vocalista. Aqui, é Rui Gaio que se destaca, não só pelo seu ar simpático e pela voz acertada para este tipo de música, mas, sobretudo, pela tranquilidade e devoção ao que faz. Se ao ouvirmos as suas canções em casa já ficamos bastante satisfeitos, só que ao vivo os Peltzer conseguem incendiar-nos e fazer-nos não querer parar de dançar. Concomitantemente, há algo de triste e melancólico na sua música, talvez devido à mescla bem-sucedida entre o indie-rock e o electro-pop, ímpar no nosso panorama musical. Internacionalmente, o melhor paralelo com esta banda talvez sejam os britânicos Ladytron, que, à semelhança da banda de Rui Gaio, não se limitam à sonoridade dançável e possuem letras com significado.

Também impossível de deixar de mencionar é o trabalho de VJing feito por Pedro Gonçalves, que consegue teletransportar-nos para um ambiente de club e fazer-nos concentrar, ainda mais, na mensagem que a banda pretende passar.

Depois dos concertos, a festa continuou no andar de baixo, mas as caras satisfeitas da audiência comprovavam que as iniciativas do Theatro Bar estão para ficar e, aliás, devem continuar. Tomar quer e precisa de mais noites como esta.

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