Archive for June, 2008

Durante a época 1976/1977, nenhuma banda punk que se prezasse admitia a hipótese de tocar por qualquer ganância material, fosse ela dinheiro ou qualquer sentimento de revivalismo idiota. Infelizmente estes foram alguns dos motivos que ditaram a reunião de algumas bandas do movimento. Trinta anos depois já tivemos, para além da reunião dos Buzzcocks, as reuniões dos Sex Pistols e Siouxsie & The Banshees, entre outros que se juntaram para tours ou mesmo para lançar álbuns. De todas essas bandas que se reagruparam desde que o punk esmoreceu, os Buzzcocks provaram ser a mais consistente, menos chata e embaraçosa.

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O grunge e o rock estavam num turbilhão permanente em 1992. Álbuns com grande impacto sucediam-se quase em catadupa: Nevermind – Nirvana, Ten – Pearl Jam, Black Album – Metallica, Badmotorfinger – Soundgarden, Wretch – Kyuss, Dirty – Sonic Youth, Core – Stone Temple Pilots, Blood Sugar Sex Magik – Red Hot Chili Peppers, entre outros, marcavam ouvintes um pouco por todo o lado… E foi neste caldeirão que surgiu Dirt, o segundo álbum da carreira dos Alice In Chains.


Faz muito tempo que a SubPop deixou de ser a editora guardiã do que foi o movimento grunge. Tendo tido no seu seio nomes míticos da denominada geração de Seattle como os Tad, as L7, os Mudhoney e, claro está, os Nirvana. Nos dias de hoje, a SubPop é uma editora bastante heterogénea, onde figuram universos musicais bastante distintos, longe da tradição punk que sempre a orientou desde os seus primórdios. Lá podemos encontrar gente como Iron & Wine, praticante folk, The Postal Service, praticantes de electrónica, e bandas noise como os Wolf Eyes.


Enquanto em Inglaterra uns tais de Sex Pistols arrasavam com a rigidez moralista da sociedade britânica através do punk duro de guitarras ruidosas e vocalizações corrosivas, nos Estados Unidos uns tais de Devo pegavam num punk mecânico de ritmos aparvalhados e saltitantes, sustentado em sintetizadores (para além da santíssima trindade do baixo, guitarra e bateria), para cumprir semelhante tarefa: a de desnudar a verdadeira América, construída sob alicerces de paranóia, esquizofrenia e consumo.


O facto de serem dois elementos, um baixista (Laurent Paradot) e um baterista (Florian Belaud), pode induzir os mais incautos a pensarem que estamos perante mais uma banda da nova tendência noise, com semelhanças possíveis a bandas como Lightning Bolt ou Hella. Nada disso. Os franceses Gatêchien estão bastante distantes dessas sonoridades, até porque não se prendem a universos puramente instrumentais e aproximam-se decididamente da tradição pós-punk/indie/hardcore que assaltou os Estados Unidos nos anos 80 e princípios dos anos 90, encarnada por bandas como Scratch Acid, Jesus Lizard, Butthole Surfers, Fugazi ou Rapeman e Shellac – estas últimas ligadas ao conceituado produtor Steve Albini.


O mundo do metal viu-se subitamente sacudido quando Remission o primeiro álbum dos Mastodon foi lançado em 2002. Heavy-metal com groove tremendo, técnica apurada, mas não exorcizada ao extremo, e uma genuína capacidade de criar canções que se afastam da tipologia rígida de estilo, coisa rara nas bandas de metal do século presente. Estas são as características marcantes e que enraizaram a banda na comunidade metaleira, mesmo nos mais ortodoxos.


Os Melvins serão sempre relembrados como a primeira banda da qual Kurt Cobain fez parte, nos tempos primitivos da cena de Seattle, ou melhor, da afamada cidade de madeireiros: Aberdeen. Sombra chata que nunca abandonou a banda e nunca tornou possível abordar o projecto de uma forma completamente neutra, ou seja, sem pensar automaticamente nos Nirvana.